quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O presente de Natal

Uma vez, quando eu tinha pouco mais de 10 anos de idade, resolvi pedir aos meus pais um presente de Natal.
Época de vacas magras, só se gastava dinheiro no absolutamente essencial, e a gente não ousava muito...
Mas, arrisquei mesmo assim.
- Mãe, neste natal, quero ganhar uma espingardinha de chumbinho.  Igual àquela do Olavo.
Eu havia experimentado brincar com uma e me fascinou o poder sobre a vida que se passa a ter.
Bom, não houve resposta e, como diz o ditado, quem cala consente...
Dia a dia, me enchia de esperança de ganhar no Natal a tão sonhada espingarda.  Versão real dos games de hoje em dia - só que com uma diferença - não são virtuais os efeitos dela.
O final do ano chegando, notas boas na escola, e o pedido "colocado"...
Ansiosamente eu contava os dias na folhinha.
Eita que quem espera sempre alcança e, por fim, chegou o Natal.
Noite feliz.
Não tínhamos árvore para colocar presentes sob ela.  Apenas um mini presépio com personagens de cerâmica.
Pelas tantas, é anunciada a entrega dos presentes.
Meu irmão e eu formamos uma fila.
Todos queriamos ser "o primeiro".
Ordem de tamanho, de idade - e eu fui o segundo.
Bom, mas não importava.
Eu já estava vendo no canto do sofá um pacote com mais ou menos um metro de comprimento.
Formato triangular com uma base de um palmo mais ou menos.  E uma ponta fina, calibre exato do que eu havia pedido.
Meu irmão ganhou o presente dele e, enquanto abria, eu aguardava.
Olhar ligeiro, localizei junto ao pacote maior, um menorzinho.  Tamanho de duas caixas de creme dental.  Bem embrulhadinho;  papél de embrulho igual ao do pacote maior.
Ora se não era a caixinha de chumbinhos que eu havia esquecido de pedir!
Finalmente, meu irmão concluiu seu desembrulhar e saiu exultante, com um caminhaozinho nas mãos.
Minha vez!!!!
E lá vem o primeiro presente.
Como um relâmpago, peguei o pacote menor e abri.
Nele, encontrei uma caixinha com uma gaita de boca.
E no maior, um guarda-chuvas.

O livro de bolso

Durante muito tempo eu fiquei procurando visualizar um fruto-do-mar.
Já tinha visto pepino-do-mar, ouvido falar do ouriço-do-mar, tocado uma estrela-do-mar...  mas, fruto-do-mar, não me vinha à mente.
E você, o que andou buscando?